«Nossa Senhora vale imensamente para a Igreja, e nós lhe devemos tudo.»
– São Pier Giorgio Frassati

CIDADE DO VATICANO — 7 de setembro de 2025. Sob o sol radiante da manhã na Praça de São Pedro, dezenas de milhares de peregrinos vindos de todo o mundo reuniram-se na Praça de São Pedro, quando o Papa Leão XIV declarou Pier Giorgio Frassati santo da Igreja Católica. A cerimônia de canonização, celebrada às 10h00, hora de Roma, foi um dos momentos mais marcantes do Jubileu de 2025 da Igreja, reconhecendo um jovem cuja vida breve, mas luminosa, continua a inspirar o mundo.

Do privilégio ao serviço

Nascido em 6 de abril de 1901, em Turim, Itália, Pier Giorgio Frassati cresceu em uma família rica e influente. Contudo, apesar da educação privilegiada e de pais em grande parte indiferentes à religião, seu coração se inclinava para Deus e para os pobres. Quando era criança, chegou a dar seus próprios sapatos a um menino descalço que bateu à porta de sua casa — um gesto simbólico da generosidade que marcaria toda a sua vida.

Ingressou na Congregação Mariana e no Apostolado da Oração, recebendo permissão especial para comungar diariamente, algo raro na época. Para Frassati, a devoção mariana não era opcional, mas o alicerce de sua espiritualidade. Ele fixou na porta de seu quarto uma cópia manuscrita do Hino à Virgem de São Bernardo, retirado do Paraíso de Dante, como lembrete diário de seu amor por Maria.

Espírito alegre, coração mariano

Para os amigos, Frassati era carinhosamente apelidado de “Il Terrore” (“O Terror”) por causa de suas brincadeiras e de seu espírito vivo. Mas, por trás do bom humor, havia um profundo compromisso com a oração, a justiça e o serviço.

A sua devoção mariana era concreta. Levava sempre consigo o Rosário, oferecendo o que chamava de um “ramo diário” de orações a Maria. «Nunca se passava um dia», recordava seu melhor amigo Marco, «sem que ele tecesse, aos pés de sua Mãe celeste, a coroa de sua oração favorita.»

Pier Giorgio também expressava o seu amor por Maria através de gestos simples e visíveis. As flores eram sua oferenda predileta. Sua irmã Luciana recordava que «sempre que havia uma celebração em honra dela, Pier Giorgio aparecia com um ramalhete de flores.» Mesmo nas neves de inverno em Pollone, ele caminhava até o Santuário da Madonna de Oropa levando flores colhidas no jardim de sua família. Quando lhe perguntavam por que vinha em tempo tão más, ele sorria e respondia: «Trouxe algumas flores para Nossa Senhora.»

Essas devoções marianas — humildes, constantes e cheias de alegria — moldaram todos os aspectos de sua vida, dando-lhe força para viver as bem-aventuranças no serviço aos pobres e oprimidos.

Uma santa morte, um legado

Em junho de 1925, ao servir os pobres nos bairros desfavorecidos de Turim, Frassati contraiu poliomielite. No leito de morte, mesmo enfraquecido, segurava firmemente o Rosário e murmurava os nomes das famílias que ainda precisavam de ajuda. Morreu em 4 de julho de 1925, com apenas 24 anos.

Declarado “beato” pelo Papa João Paulo II em 1990, Frassati foi aclamado como “homem das bem-aventuranças” e “apóstolo alegre de Cristo.” João Paulo II revelou mais tarde que, em sua juventude, havia sido profundamente marcado pela devoção mariana de Frassati. Sua irmã o descreveu como «puro, feliz, entusiasmado com tudo o que é bom e belo.»

Canonizado pelo Papa Leão XIV

Agora, um século após sua morte, a Igreja reconhece plenamente a sua santidade. Na missa de canonização, o Papa Leão XIV, o primeiro papa agostiniano e o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, declarou Frassati santo, juntamente com Carlo Acutis, unindo dois jovens testemunhos de fé em um momento histórico do Ano Jubilar.

«São Pier Giorgio Frassati mostra-nos que a santidade é possível na vida cotidiana», disse o Papa Leão na sua homilia. «Ele viveu com alegria, serviu com amor e nunca deixou de subir em direção a Deus, tendo Maria como companheira constante.»

Um santo para a juventude, sob o manto de Maria

Hoje, São Pier Giorgio Frassati é celebrado como padroeiro dos estudantes, dos jovens católicos, dos alpinistas, da Ação Católica, da Jornada Mundial da Juventude e da Juventude Vicentina. Apostolados no mundo inteiro levam seu nome, e sua imagem sorridente — muitas vezes com montanhas ao fundo, flores na mão ou um Rosário entre os dedos — continua a inspirar inúmeros jovens a seguir Cristo com alegria e coragem.

À medida que os peregrinos regressam a casa após a canonização, uma frase continua a ecoar mais forte do que nunca: «Verso l’Alto». Para as alturas, com Nossa Senhora, sempre em direção a Cristo.